Do you want some Cazaja?

Em recente passagem por Belo Horizonte o cineasta Marcelo Borja foi apresentado ao projeto Cachaçarias Nobres, experimentou da qualidade dos rótulos de nossa seleção e conheceu um pouco mais sobre padrões de qualidade de nosso destilado nacional.
De volta a Nova Iorque enviou-nos este interessante texto com seu testemunho e impressões sobre como a Cachaça é vista – e desejada! – no exterior.
Agradecemos a este ilustre filho de Minas por compartilhar suas experiências, saudando-o como um verdadeiro representante de nossa cultura em terras Ianques.

:: Equipe Cachaçarias Nobres ::

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Do you want some Cazaja?
Por Marcelo Borja

Cazaja!!

É assim que meu amigo alemão fala cachaça, e não adianta tentar corrigir, pois ele não consegue falar certo. E olha que ele fala essa palavra quase todo dia. Depois que apresentei para ele a cachaça artesanal mineira, esta virou uma de suas bebidas preferidas.

Tudo começou em 2010 quando vim morar em Nova Iorque para estudar cinema. Como bom Mineiro, embalei umas quatro garrafas de cachaça comigo para poder presentear os amigos e poder matar a saudade de casa.

Num primeiro momento, quando oferecia cachaça, meus amigos aqui nunca tinham ouvido falar. Alguns sabiam que era a bebida que se fazia caipirinha, mas com certeza nunca tinha provado um boa pinga! Principalmente pura! Explicava a história da bebida, a origem a palavra Pinga e Água ardente! Mostrava um filme desenho do Walt Disney, da década de 40 ou 50 no qual o Pato Donald vai ao Rio, conhece o Zé Carioca e vai tomar uma “Cachacinha” com ele (e por sinal, bons tempos onde não se falava em politicamente correto).

Aos poucos, a cachaça foi ficando cada vez mais conhecida entre meus amigos! A cada ida ao Brasil tinha que trazer um carregamento. Cheguei a trazer 8 garrafas de uma vez só!

O engraçado é que freqüentamos um bar “brasileiro” (o dono é um francês que adora o Brasil) aqui no Brooklyn chamado de “Miss Favela” e um dos drinks mais pedidos é a caipirinha, obviamente. Esta porem é feita com cachaça industrializada (que não vou citar o nome aqui, mas posso dizer que é das mais “famosas”). Um drink destes aqui, sai por nada menos que 8 dólares, aproximadamente uns RS18,00 reais. E todo mundo bebe! E todo mundo acorda com uma puta ressaca no dia seguinte.

Numa destas ressacas, meu amigo alemão, o da Cazaja, perguntou: “- Porque quando tomamos a cachaça pura que você traz do Brasil, não temos ressaca nenhuma e quando tomamos esta caipirinha do Miss Favela acordamos passando tão mal”? Não sou um especialista em cachaça mas sei bem a diferença entre uma artesanal e uma industrial.

Expliquei para ele a diferença no processo, no corte da cabeça e rabo, no armazenamento e demais fatores que tornam a cachaça artesanal tão especial e diferente! Ele ficou maravilhado! E me fez prometer que iria enviar para ele todo ano, em seu aniversário, uma garrafa de cachaça artesanal!

Promessa é divida e vou ter que cumprir! Agora só falta achar boa cachaça artesanal em Nova Iorque para vender, pois não dá para ficar trazendo tantas garrafas do Brasil!

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* mais informações sobre o autor podem ser encontradas nos links abaixo:

http://www.mborja.com/#!sobre/c24fy
http://www.imdb.com/name/nm4568456/bio
http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/curta-belo-horizontino-%C3%A9-premiado-em-nova-york-1.132300